ENTREVISTA: Coronel Claudia Lovain, pré-candidata a deputada federal pelo PSD
Com foco no empoderamento feminino
Oficial da reserva da Polícia Militar fala das prioridades que pretende levar para Brasília e incorporar a um eventual mandato em sua primeira tentativa de buscar um lugar na Câmara dos Deputados
FOTO DIVULGAÇÃO
Claudia Lovain comandou diversas unidades da Polícia Militar, como, por exemplo, o 3º Comando de Policiamento de Área e o Regimento de Polícia Montada Coronel PM Enyr Cony dos Santos
-------------------- Renato Reis --------------------
Coronel da reserva da Polícia Militar, tendo comandado diversas unidades, Claudia Lovain diz que aceitou o convite do Partido Social Democrático para ser pré-candidata a deputada federal com o desejo de fazer a diferença, aumentando a representatividade feminina na política além de representar a Zona Oeste na Câmara dos Deputados. Com uma vida impulsionada socialmente pela educação, ela é bacharel em Direito e já exerceu funções também fora da Polícia Militar, como, por exemplo, no Grupo de Apoio à Promotoria do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, tendo sido ainda titular da Secretaria Municipal de Segurança e Ordem Pública de Seropédica. Ela destaca também o fato de, como comandante do 19º BPM (Copacabana e Leme), ter sido a primeira mulher a comandar o Réveillon de Copacabana, juntamente com 1.500 policiais militares, em um evento que reuniu 2 milhões de pessoas. Louvain foi ainda titular do 3º Comando de Policiamento de Área, que abrange toda a Baixada Fluminense, reunindo seis batalhões, e comandou também o 2º BPM (Botafogo) e o 21º BPM (São João de Meriti). Também atuou na Secretaria de Estado de Administração Penitenciária, como diretora da Casa de Custódia Bangu V e da Penitenciária Jonas Lopes de Carvalho, conhecida como Bangu IV.
Atuando atualmente como palestrante, abordando temas como a importância do estudo para a formação do cidadão, ela acentua que deseja inspirar as mulheres a falarem e, principalmente, participarem da política. “O eleitor tem de assumir a sua responsabilidade e a mulher deve participar das decisões, tem que ter a caneta na mão, tem que ter voz, mas uma voz empoderada”, salienta ela, na entrevista que segue:
O Amarelinho – Por que a senhora deseja ser deputada federal?
Coronel Claudia Lovain: As minhas principais motivações são a de representar a Zona Oeste em Brasília, dar voz à Polícia Militar e aumentar a representatividade feminina no Congresso Nacional. Eu quero inspirar as mulheres a falarem de política. A gente fala mal da política, mas não se organiza para inspirar as pessoas de bem a falar de política, para que as mulheres falem e participem de política.
Como explicar o contrassenso de o país ter um eleitorado predominantemente feminino e não termos um número mais expressivo de mulheres em espaços de poder?
A política ainda é um assunto tipicamente masculino, pelo fato de a política não fazer parte do universo feminino. Agora temos a obrigação de que cada partido ou coligação preencha o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo, pois é muito pequeno o número de mulheres. Hoje a Câmara dos Deputados não reflete o eleitorado brasileiro. Dos 513 parlamentares só 77 são mulheres, além disso, em mais de 5 mil municípios não temos 800 prefeitas.
Como mudar esse quadro?
Uma das minhas bandeiras é aumentar a representatividade da mulher na política, incentivar eventos em que as mulheres possam compartilhar ideias, a participar da política. Acredito que ao cuidar da mulher na política você está cuidando da família, porque ela cuida dos filhos, dos pais, dos sogros. Assim sendo, por que ela não cuidar também dos espaços de decisão?
Sendo eleita o que pretende fazer nesse sentido?
A minha intenção como parlamentar é influir para aumentar o número de Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, criar políticas públicas voltadas para o público feminino, para a mulher que hoje é silenciada, para o combate à incidência de crimes, para estimular mais investimentos em políticas voltadas para as meninas, fazer com que haja mais cursos profissionalizantes com acesso para o público feminino. É tanta coisa horrível que a mulherada tem passado. É preciso ter um número maior de creches. Quanto à segurança, a preocupação deve começar cedo, com o respeito à mulher ensinado nas escolas.
Como representante da Polícia Militar, o que a tropa pode esperar de seu desempenho na Câmara dos Deputados?
A luta pelo fortalecimento da instituição, a valorização do policial militar e a máxima atenção quanto à sua saúde física e mental, pois sua rotina é marcada por eventos complexos. Eu falava para minha tropa que em nosso serviço tínhamos que enfrentar assaltos, criança perdida, mulher violada, obrigando-nos a ser guerreiros como pais acolhedores. Isso compromete muito a saúde mental do policial militar.
Como mudar essa realidade?
Com a valorização da profissão policial militar, começando, é claro, com salários, equipamentos e formação acadêmica de excelência, rede de saúde física, mental e jurídica de apoio. Mais colégios militares para os filhos dos policiais e melhoria continuada do que as instituições já possuem. E, também, o endurecimento de leis que por si e por seus resultados diminuem o moral da tropa.
Pode citar exemplos de ação preventiva de combate à violência?
Política habitacional para diminuir o processo de favelização e para garantir segurança habitacional. E investimento na profissionalização dos adolescentes e jovens, juntamente com inserção desse grupo com esta faixa etária no mercado de trabalho!
O que a senhora considera urgente numa representação parlamentar relacionada especificamente à Zona Oeste?
Apesar de estar me preparando pela primeira vez para enfrentar uma campanha eleitoral, eu tenho planos de governança para a Zona Oeste. Temos que ter, por exemplo, uma forte presença do ensino profissionalizante na região. Vou trabalhar em Brasília da mesma maneira rigorosa com que sempre trabalhei e cobrei das tropas que comandei. Eu sempre me cobrei muito, então tenho que cobrar!
Como enfrentar o descrédito da população quanto à política?
Realmente os políticos estão muito distantes da população, não havendo interação deles com o povo, a começar pelo perfil dos parlamentares, que é a do homem branco de meia idade, o que não condiz com o da população em geral. A lei de cotas é importantíssima. Em todos os países em que ela foi introduzida a representatividade feminina aumentou. As pessoas de bem têm de participar da política. A gente fala do Rio de Janeiro como uma terceira entidade. Quando a gente fala do Rio de Janeiro a gente está falando de nós. O eleitor tem de assumir a sua responsabilidade e a mulher deve participar das decisões, tem que ter a caneta na mão, tem que ter voz, mas uma voz empoderada.
Fonte: Facebook ''O amarelinho''.



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